quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

12 Desejos... para 2012


Estamos a apenas 2 dias da chegada de mais um novo ano: 2012. Certamente ouviremos, nos balanços a 2011, que foi um ano particularmente bom. Porque ficámos em último no Eurobasket masculino, quando podíamos ser Húngaros. Porque tivemos uma equipa masculina nas competições europeias, quando somos "poucos, pequeninos e pobres". Coitadinhos de nós... Enfim.
Mas deixemos os balanços e dediquemo-nos um pouco ao futuro. Ao novo ano que se avizinha. É para ele que aqui ficam 12 desejos para, quem sabe, acompanharem as 12 passas, durante as 12 badaladas da mudança...

1: Regressar à Europa - Equipas masculinas que se apurem para as competições europeias de clubes devem ser obrigadas a nelas participar, sob pena de penalizações pesadas (multas e descidas de divisão). Só assim se respeita todo um País que compete durante alguns meses. Só assim esse mesmo País se começará a dar ao respeito...

2: Equipas com um máximo de 2 (DOIS) estrangeiros não comunitários - Poderia estar a descrever as implicações negativas de se aplicarem internamente regras desfasadas das da FIBA Europa, mas aconselho antes a entrevista de Aito Garcia Reneses à ANTB. Esta incoerência organizacional só é compreensível face ao isolamento e ao proteccionismo da mediania lusa a que nos dedicámos nos últimos anos...

3: Cidadãos Europeus equiparados a Nacionais - Cumpram-se os acordos internacionais, assim como o emendar de mão forçado a que a FPB recentemente se sujeitou. Se na próxima época houver 1 (UM) atleta nestas condições nos nossos campeonatos, será já uma verdadeira revolução. Talvez a"revolução inclusiva" de que necessitamos...

4: Fim do Pacto de Cangalheiros (gentilmente apelidado pela FPB como "acordo de cavalheiros") - Como é sabido, um grupo de dirigentes de clubes ter-se-á reunido no Verão passado, tendo definido (completamente à rebelia do Regulamento de Competições) qual o número de americanos que lhes daria mais jeito ter esta época. Ora bem, apesar de Portugal se encontrar no Jurássico do dirigismo desportivo no que ao basquetebol diz respeito, podiam ao menos tentar disfarçar que andam cá para competir, encher pavilhões e elevar o nível do nosso basket. Pelo contrário, esforçam-se por perpetuar a única pobre realidade que conhecem e onde se sentem confortáveis: "americano é que é bom! E baratinho!!", "prospecção na Europa é conceito megalómano e de doidos!", "se pudermos ir andando por cá, sempre com os mesmos a ganhar isto... nem levantaremos quaisquer ondas! Podemos?..."

5: Também queremos ganhar! - Aparecimento de 1 (UM) clube da LPB que trabalhe e afirme claramente que se assume como candidato à vitória. Termos uma Liga onde há poucas equipas e, de entre essas, só duas se assumem como candidatas a vencer é, no mínimo, ofensivo para a competitividade que se deseja.

6: Basquetebol na TV ou na internet - Há vários anos que o basquetebol não é visto nos locais onde a "mão de obra", leia-se talento, é mais abundante pois deixou de dar na televisão em canal aberto. A uma proposta apresentada no passado Verão e que dotaria a FPB de condições para transmitir todos os jogos da LPB e da Proliga, a FPB fingiu-se de surda. O resultado desta longuíssima "visibilidade zero" é a ausência de referências entre os jovens e de identificação com um desporto que não tem, actualmente, qualquer reconhecimento mediático em canal aberto logo, é apenas visto por quem tem mais euros no bolso...

7: Basquetebol para o público - Pavilhões sem condições mínimas de segurança, ambientais e de conforto. É este o contexto maioritário que encontra qualquer jovem que deseje entrar no basquetebol e é este o cenário que actualmente afasta o público dos pavilhões. Na esmagadora maioria dos jogos de basquetebol que acontecem em Portugal encontramos na bancada apenas familiares e amigos dos participantes. Os fãs de basquetebol encontram-se em vias de extinção!!!

8: Site FPB inteligível - Provavelmente o pior site desportivo em Portugal, o site da FPB tem a particularidade de ser tudo menos de fácil compreensão ou utilização. Mais uma demonstração de que há muita coisa que se faz só olhando para dentro, o site da FPB deveria ser apelativo, "user-friendly" e mais vocacionado para a pedagogia e para os aspectos fundamentais do jogo. Com o devido respeito, o site deve ser menos virado para os dirigentes, poupando-se assim notícias sobre a família do Sr. Presidente ou sobre o que o nosso Director Técnico faz nas suas incursões pela FIBA Europa (local com regulamentos de competições tão complexos que o nosso DTN ainda não teve oportunidade de os decifrar e fazer cumprir internamente). Interessa sobretudo o basquetebol e os seus artistas, sempre na óptica de serem um apelo à vinda de mais adeptos e à natural renovação de gerações que não tem acontecido. 

9: Selecção Nacional treinada por quem nela acredite - As declarações dos responsáveis técnicos pela nossa selecção após o Eurobasket 2011 foram, no mínimo, irresponsáveis. Sobretudo porque nesse campeonato entrou a Macedónia! Mas é difícil abrirmos os olhos e espreitarmos para o lado... A negação da possibilidade de Portugal vir a fazer parte da elite europeia e mundial no basquetebol é legítimo para todos menos para quem comanda os melhores da nação. A resignação deve dar lugar imediato à capacidade de sonhar, devendo para esse efeito ser contratado um treinador que não se acomode e que seja uma reserva inesgotável de optimismo, patriotismo e ambição saudável.

10: Aproximação a Espanha - Em linha com a lógica apresentada para que os clubes regressem às competições europeias, não faz sentido que a Selecção Nacional se reúna tão esporadicamente, dado que somos dos piores que a Europa actualmente possui. Na minha perspectiva, quanto mais longe estamos do topo, mais trabalho deve ser feito para nos aproximarmos. E esse topo é mesmo aqui ao lado... a uns kms de distância... Percamos o orgulho burro e o mimo próprio de quem é tão, tão protegido e arregacemos as mangas para jogar mais vezes com "nuestros vecinos". Mesmo com as dores iniciais do impacto mais regular, o resultado só pode ser positivo!

11: Uma Associação a discordar - Face à degradação a que o basquetebol tem vindo a ser sujeito ao longo das recentes décadas, estranho o silêncio comprometido e complacente de TODAS as Associações Distritais de Basquetebol do nosso País. É incrível, mas parece que está tudo bem, que a máquina está oleada e que o caminho é mesmo este... Chega de nos agarrarmos aos benefícios pessoais e sociais que advêm de pertencer a uma destas estruturas e assumir o papel responsável que devemos ter em prol do basquetebol português. Estranho muito qualquer "paz podre" com que me vou cruzando ao longo da vida. Ainda estranho mais esta, atendendo ao estado subnutrido e resignado deste desporto que adoro, neste País que é o nosso!

12: Aprender com o Feminino - O basquetebol feminino está actualmente bastante melhor do que o basquetebol masculino. A razão pode estar em não terem cometido alguns dos erros apontados atrás, nesta lista de desejos. Mas, mais do que razões, neste momento interessa-nos encontrar soluções eficazes e de aplicação a curto-prazo. O basquetebol feminino parece-me que tem bastante a ensinar, actualmente, ao basquetebol masculino.

Abraço e um excelente 2012 para tod@s!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

À atenção de quem quer lançar com mais eficácia...

Treino Mental - Confiança



Por esta altura já devem ter percebido o quanto os 3 C’s (Compostura, Concentração e Confiança) são interdependentes. Se imaginarmos o desempenho como assente neste “tripé”, sem confiança os outros dois “pilares” sucumbiriam. Com confiança a estrutura completa-se e mantém-se firme. Talvez a melhor forma de ilustrar o quanto a confiança ajuda a um bom desempenho seja olhar para como os pensamentos negativos o condicionam.

A falta de confiança influencia o rendimento de dois modos. Em primeiro lugar, os pensamentos negativos podem facilmente tornar-se profecias auto-realizáveis. Atletas que não acreditam nas suas capacidades esforçam-se menos para as desenvolver. “Escondem-se” do trabalho de modo a usar o fraco empenho como desculpa para eventuais prestações menos conseguidas. Pode-se afirmar que o medo e a ansiedade perante a possibilidade de falhar impedem alguns atletas de dar permanentemente o seu melhor. A reacção impotente de um “perdedor” ao medo de falhar é o que impede verdadeiramente esse atleta de atingir o sucesso.

O segundo problema de “pensar negativo” é o facto de a nossa mente comandar o nosso corpo. Qualquer atleta que tenha pensamentos negativos acerca da sua competência para driblar não poderá evitar ser um mau driblador devido às imagens mentais que mostram movimentos vagos ou descoordenados. Por outro lado, qualquer atleta que mantenha imagens claras e positivas do seu drible terá maior probabilidade de ser um melhor driblador, pelo mesmo facto de o nosso cérebro comandar o nosso corpo.

Os atletas confiantes não gostam de cometer erros, mas conseguem recuperar rapidamente de uma falha e focar na próxima acção com optimismo. E tu? Como reages quando cometes um erro? Desistes? Ignoras? Culpas outra pessoa? Ou aprendes, diriges o teu foco para a próxima acção e corriges a fonte da falha? Se não consegues fazê-lo sempre, certamente te irá ajudar saber como os atletas de alto rendimento encaram os erros. Eles consideram que todas as suas falhas são temporárias, localizadas e alteráveis. Se conseguires ter uma abordagem semelhante perante o insucesso, certamente te tornarás mais resiliente.

Temporárias – “depois da tempestade vem (sempre) a bonança”; este provérbio ilustra inteligentemente a forma como atletas de alto rendimento vivem a adversidade. É algo que ocorre durante um período limitado de tempo. Ao seres paciente e persistente verás que a situação melhorará;

Localizadas – algumas pessoas têm uma tendência natural para exagerar a dimensão dos problemas. Como portugueses, todos sofremos geneticamente desse atributo. Pessoas confiantes são as que conseguem limitar os seus problemas ao contexto em que eles ocorrem. Isto quer dizer que não é por eu ter má nota a História que vou chumbar a Inglês. Mantém a adversidade sob perspectiva e limita o seu alcance.

Alteráveis – algumas pessoas acreditam seriamente que o destino controla as suas vidas. Acreditam que são impotentes no que diz respeito à adversidade. Sentem-se pequenas e que não há nada que possam fazer para mudar a situação. As pessoas confiantes são optimistas porque sabem que basta um ajuste na sua abordagem, interpretação ou atitude mental para fazer uma enorme diferença. Continuam a tentar porque acreditam que têm a capacidade de influenciar e, por vezes mesmo, controlar o seu próprio destino.

A nossa mente age de acordo com quatro leis fundamentais (Stan Kellner em “Taking It to the Limit”), sendo de destacar, para a compreensão da confiança, as três primeiras:

1)      A imagem de ti próprio determina o teu desempenho;

2)      Melhora a imagem de ti próprio e o teu desempenho melhorará;

3)     A mente nem sempre reconhece as diferenças entre uma experiência real e uma experiência imaginada;

4)      Cada atleta tem um mecanismo de sucesso – o seu subconsciente.

Para quem ainda duvidar, uma experiência que demonstra o terceiro princípio enunciado atrás é a que se segue: “Fecha os olhos. Imagina que seguras um limão. Está na tua mão direita. Podes sentir a frescura e as imperfeições da sua casca amarela. Tenta apertá-lo um pouco. Consegues sentir a sua firmeza? Cheira o limão. Agora, mentalmente, corta o limão com uma faca, dá-lhe uma dentada e sente o seu sabor ácido e o travo amargo. Se usaste a tua imaginação, por esta altura a tua boca já está a salivar”.

Esta característica do nosso cérebro permite obter resultados interessantíssimos recorrendo à visualização. Para o demonstrar, relato-vos a famosa “Experiência dos Lances Livres”. Num estudo sobre os efeitos do treino mental no desempenho desportivo, uma turma de estudantes universitários foi dividida em três grupos. No início da experiência todos os alunos foram testados e foi registada a sua percentagem de eficácia da linha de lance livre. Nos 20 dias seguintes, o Grupo 1 treinou 20 minutos por dia. O Grupo 2 foi o grupo de controlo e não fez qualquer tipo de treino nesses 20 dias. Ao Grupo 3 foi pedido que lançassem lances livres “imaginários” durante 20 minutos por dia, nesses mesmos 20 dias. A este grupo não foi permitido qualquer treino com bola. No final da experiência, os alunos foram novamente testados e os resultados foram surpreendentes para a data (1960). O grupo de controlo teve igual desempenho ao que tinha tido na sessão inicial. O Grupo 1, que treinou os 20 minutos por dia teve um aumento na percentagem de 24%. O Grupo 3, que usou apenas treino mental, subiu a sua percentagem em 23%. Por outras palavras, o grupo que usou apenas treino mental teve resultados semelhantes aos do grupo que treinou com bola. A melhor notícia é que todas as nossas experiências imaginadas podem ser bem sucedidas, o que pode sempre transformar imagens negativas em imagens positivas.


A falta de confiança é, geralmente, o resultado de más imagens mentais, ao passo que a verdadeira confiança resulta de imagens positivas que advêm de acreditar nas próprias capacidades. Contudo, não devemos confundir pensamentos positivos com puros desejos. Os pensamentos positivos precisam de elementos da realidade e duma sensação de real possibilidade de melhoria do desempenho. Os pensamentos positivos nos quais não acreditamos honestamente são chamados desejos. A nossa mente apenas aceita e reage de acordo com ideias que considera reais. Dizer a mim próprio que vou ter uma grande noite nos lançamentos ao cesto não reduz a ansiedade, a não ser que eu tenha verdadeira confiança na minha competência como lançador.

Para além de termos confiança nas nossas capacidades, para atingirmos o alto rendimento devemos ainda ter a confiança de que estaremos confiantes nos momentos necessários. Isto é, devemos ter a confiança necessária nos 3 C’s no decurso de treinos e competições. Se não consigo relaxar o suficiente para reduzir a tensão física e mental no treino ou nos jogos, não serão os pensamentos positivos que resolverão esse problema quando chegarem os momentos decisivos. Sem controlar os 3 C’s não terei qualquer controlo sobre as minhas competências técnicas, físicas ou tácticas em situações de stress competitivo.

A confiança é, então, uma questão de aprender, treinar e ter tido sucessos passados. Ou, nas palavras de John Wooden, a confiança advém de estarmos preparados. Se quiseres desenvolver a verdadeira (e total) confiança no teu jogo deves preparar-te totalmente para a competição – fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Deves começar por desenvolver a técnica e a concentração para lançar, manejar a bola, defender e ressaltar. Em segundo lugar, e tão decisivo como os outros aspectos, deves desenvolver técnicas de relaxamento que te permitam controlar as emoções e a tensão física. Por último, deves manter-te em excelente forma física através de treinos de força e resistência. Com a devida dedicação a uma preparação total saberás que estás preparado para jogar ao teu melhor nível.

Frase do Dia

"Confrontation is good. It simply means looking the truth right in the eyes." - Mike Krzyzewski

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Frase do Dia

"You can't lead others to a place that you don't want to go yourself" - Jim Kouzes / Barry Posner

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Começou!!...

EuroBasket 2011 - Macedónia

2 milhões de habitantes (20% ou 1/5 da população portuguesa)... cerca de 25% (1/4) da área de Portugal... 33% (1/3) de PIB per capita relativamente ao nosso País... prestação épica no EuroBasket 2011 e consequente apuramento para o torneio de qualificação para os Jogos Olímpicos... O que teremos nós a aprender com estes bravos Macedónios?

Treino Mental - Confiança (as 4 fontes)



A característica mais impressionante da confiança é o quanto ela é uma construção tão frágil para tantas pessoas. O desporto está cheio de altos e baixos que podem ter impacto na nossa confiança. Há uma grande dose de falhas naturais em todos os desportos. A título de exemplo, os grandes quarterbacks no futebol americano fazem passes incompletos em 40% das ocasiões; os jogadores de basquetebol de topo falham cerca de 50% dos lançamentos que fazem; os melhores batedores no baseball falham 70% dos batimentos que tentam; os grandes avançados do futebol apenas acertam na parte de dentro das redes em cerca de 10% das tentativas. Ou seja, até os melhores atletas “lutam” com os seus desempenhos periodicamente e com a necessidade de reparar, restaurar e reconstruir a sua confiança.

A falta de confiança faz com que alguns atletas se retraiam, parem de comunicar e se tornem distracções para os seus colegas de equipa. No fundo, a verdadeira confiança deve vir de dentro de cada um. Deves acreditar em ti e em quem és como pessoa. Esta é a única forma de levares os outros a confiarem em ti. Ao invés de narcisista, arrogante ou egoísta, deves estar confortável contigo e aceitar-te por quem és.

quatro fontes principais de confiança que todos os atletas (e não só) usam para criar, construir e manter a sua confiança:

1)      Preparação – uma das melhores fontes de confiança é lembrarmo-nos da quantidade e da qualidade de trabalho duro que já fizemos. Trabalho árduo e uma excelente preparação são as pedras basilares da confiança. Se eu me aplico ao máximo na tarefa de melhorar o meu jogo, tenho o direito a estar confiante. Sei que paguei o preço do sucesso. Quando sei que trabalhei tanto ou mais do que a pessoa com a qual estou a competir, tenho o direito a acreditar que posso competir com essa pessoa e vencê-la. A confiança é, então, algo que se conquista pela qualidade com que se treina. Se existirem áreas da preparação em que detectas falhas, então devem ser essas as áreas a que deves dedicar mais atenção no futuro próximo;

2)      Auto Percepção (Pontos Fortes) – outra excelente forma de construir a confiança é fazer uma lista de todos os pontos fortes que possuímos enquanto atletas. O que faço bem? Quais os meus trunfos no aspecto físico? (velocidade, rapidez, força, flexibilidade, resistência, etc.) Que aspectos do jogo são as minhas melhores “armas”? (manejo de bola, lançamento, defender, etc.) Quais são as minhas competências comportamentais (competitividade, ética de trabalho, atitude, persistência, brio, etc.) Mais uma vez, não se está aqui a recomendar que sejamos convencidos ou arrogantes. Mas é necessário saber quais são os nossos trunfos e termos orgulho neles, pois só assim saberemos usá-los durante a competição. Se lutas com a tua confiança por ser um perfeccionista, deves deixar de ser tão crítico contigo próprio. Se não consegues fazer uma lista dos teus pontos fortes, pede a alguém da tua confiança para te ajudar nessa tarefa. Os teus colegas de equipa e o teu treinador verão algumas competências que talvez nem sequer penses ter no momento. Aceita os comentários deles e força essa cabeça a acreditar, em vez de tentar negá-los ou ficar embaraçado com essas opiniões;

3)      Memória (Sucessos Passados) – Reflectir acerca de sucessos passados é também uma excelente forma de aumentar a confiança. Lembra-te de algumas jogadas-chave que realizaste ao longo da tua vida. Se conseguiste nessas situações, então já mostraste a ti e a outros que tens o que é necessário para ter sucesso. Se a competência física está lá, só é necessário a recordação mental de modo a que voltes a ter um bom desempenho quando viveres uma situação semelhante, mesmo que noutro contexto. Até as derrotas e as tentativas mal sucedidas são importantes para construir a confiança, desde que se saibam retirar os devidos ensinamentos;

4)      Elogios – usar as palavras e as acções de outros pode ser também uma forma de construir a nossa confiança. Pensa numa situação em que alguém que realmente admiras te fez um elogio. Como te sentiste? A crença dessa pessoa em ti não te fez acreditar em ti mais um pouquinho? Idealmente, podes olhar para trás e lembrar-te de palavras elogiosas de colegas, treinadores, adversários, pais, professores, amigos, conhecidos ou outros. Usa estes elogios para te recordares que tens o que é necessário para teres o sucesso ambicionado.

Apesar destes serem os quatro pilares em que assenta a confiança, devemos ter o cuidado de não atribuir peso excessivo aos elogios. Claro que podem ajudar a “aumentar” a nossa confiança esporadicamente, mas não os podemos usar como única (ou sequer como principal) fonte de confiança. Porquê? Duas razões. Em primeiro lugar porque este é um aspecto não controlável da nossa preparação, devendo-nos focar sempre nos aspectos que podemos controlar. Em segundo lugar, porque podemos encontrar-nos num contexto em que os elogios não são dados com frequência. Se precisamos de outros para nos dar confiança e a pessoa que nos lidera não o faz, essa confiança vai acabar por “morrer de fome”. Estas são as principais razões pelas quais nos devemos sempre preparar para realizar mais do que nos pedem, recebendo menos reconhecimento do que aquele que consideramos justo. E aumentar a confiança com o que realizamos, ao invés de a deixar cair pela ausência de palavras elogiosas.

Frase do Dia

"Mastery of others is strength. Mastery of self is true power." - Lao Tzu

Sugestão para 2012: aprender com os melhores!

Há 2 anos que participo no programa formativo, para treinadores de alta competição, brilhantemente desenvolvido pelo Euroleague Basketball Institute. Ter a oportunidade de viver, partilhar e aprender com 4 dos melhores treinadores europeus de sempre da nossa modalidade é algo que deve ser aproveitado por todos quantos desejamos ser realmente Treinadores.
Em 2011 estivemos lá (Barcelona) 3 treinadores portugueses. Seria óptimo se este número crescesse já no próximo ano. Deixo-vos aqui o vídeo de apresentação, bem como um artigo redigido pelo colega João Oliveira acerca desta oportunidade de crescimento. É esta a minha sugestão para 2012...Mesmo em tempos difíceis (ou sobretudo nesses) aprender com os melhores! 


sábado, 24 de dezembro de 2011

Univ. Creta - Univ. Aveiro (2009)

Frase do Dia

"The more your players have to think on the basketball court, the slower their feet get" - Jerry Tarkanian

Treino Mental - Concentração



Consideremos a enorme variedade de pensamentos que chamam a nossa atenção durante treinos ou competições. A chave para o alto rendimento é aprender a seleccionar o foco de atenção (concentração) correcto para cada situação particular em que nos envolvemos em treino ou em competição:

Campo Visual – a quantidade de informação visual recebida no basquetebol é gigante. A atenção pode englobar todo o pavilhão incluindo o público, cadeiras vazias, marcador electrónico, jogadores, treinadores, bolas, cestos, bancos, e por aí fora; ou ser tão estreita que apenas comporta a bola ou o cesto. O campo visual pode incluir informação essencial para o sucesso ou, pelo contrário, objectos “desprezáveis”, como por exemplo um árbitro;

Percepção Corporal – a nossa mente pode focar-se no próprio corpo de modo a avaliar a tensão muscular ou o grau de relaxamento. Pode-se sentir o ritmo (ou a sua ausência) ao nível da coordenação de movimentos; sentir músculos doridos ou tensos; sentir a energia ou a fadiga; sentir a posição que o corpo ocupa no espaço, etc. Também aqui a focagem pode ser larga (corpo inteiro) ou fina (se for numa parte específica do corpo). A mente também detecta o grau de equilíbrio apresentado. Se surgir um desequilíbrio crítico, a mente foca toda a sua atenção (concentra-se) na tarefa de reequilibrar o corpo, desligando assim outros canais importantes (daí ser fundamental jogar equilibrado);

Audição – o que ouvimos pode ser tão “largo” como o som do público ou tão “fino” como um colega de equipa que grita “bloqueio!”. Focar nos sons pode ser essencial, como quando um colega indica a jogada a efectuar, ou tão desnecessário como quando nos focamos no “speaker” do pavilhão;

Tacto – O foco associado ao tacto pode ser largo, como quando suportamos a pressão física de bloquear defensivamente um adversário na luta pelo ressalto ou tão fino como sermos tocados enquanto lançamos a bola ao cesto. Pode ser extremamente importante, como quando sentimos o melhor trajecto para evitar um bloqueio ou ser tão irrelevante como quando sentimos o equipamento encharcado de suor;

Filmes Mentais – memórias do passado ou antecipações do futuro podem ser positivas, promovendo confiança e compostura. Ou negativas, se derem lugar a ansiedade e tensão;

Voz Interior – conversas connosco próprios podem ser frequentes, sobretudo quando as coisas não correm como gostaríamos;

Espelho Mental – finalmente, a mente pode estar a reflectir sobre ela própria e o seu desempenho. Com este espelho mental podemos ter a percepção se estamos com o foco de atenção correctamente centrado nos sentidos da visão, audição e tacto, equilíbrio, percepção corporal ou imaginação. Pode acontecer estarmos a ter a percepção de que estamos a avaliar a nossa própria percepção mental (este é mesmo um dos objectivos deste treino).

Relativamente a este último ponto (Espelho Mental e Percepção Mental) ele pode ser uma óptima ferramenta para desenvolver as competências de concentração para o jogo de basquetebol, que é o nosso. O seguinte exercício pode ajudar a fazer um bom diagnóstico neste capítulo.

Exercício: Completa cada tarefa antes de ler a seguinte:

1)      Observa o local onde estás e concentra-te na informação que a visão (percepção visual) te dá durante 10 segundos.

(enquanto observavas, fizeste focagem larga ao local ou focagem fina num objecto em particular?)



2)      Durante os próximos 10 segundos, concentra-te no sentido da audição.

(estavas mais focado num determinado som ou em vários sons provenientes de várias direcções?)



3)      Agora concentra-te na tua percepção corporal. Se estás sentado, levanta-te. Se estás em pé, senta-te.

(quando te sentaste ou te levantaste, estavas consciente do movimento, da contracção dos teus músculos, de alguma tensão ou dor?)



4)      Nos próximos 10 segundos deixa a tua mente focar-se no que ela desejar.

(em que sentido(s) e/ou em que objecto(s) a tua mente se focou?)



Ao executar as tarefas anteriores estamos a treinar o controlo mental, ou seja, a concentração. Ao responder às questões que se seguiram a cada tarefa, estamos a treinar a percepção mental. Ambas as competências são determinantes para o sucesso no basquetebol.



Percepção Mental no Treino – nos momentos de pausa entre repetições ou entre exercícios, reflecte uns segundos sobre qual o foco da tua atenção enquanto executavas a tarefa anterior;

Percepção Mental no Aquecimento do Jogo – no início do aquecimento deves focar a tua atenção na tua percepção corporal. À medida que começares a sentir-te mais relaxado, começa a focar-te no ritmo do teu lançamento e foca a tua percepção visual no cesto. Usa tua percepção mental para verificares o teu estado e para te preparares o melhor que conseguires para a competição que irá começar;

Percepção Mental Durante o Jogo – usa a percepção mental nas paragens de jogo para reforçar bons hábitos. Contudo, o uso da percepção mental durante a competição deve servir apenas para verificações ocasionais. Caso contrário, limitarás a percepção visual de que necessitas para um bom desempenho.
Como todos sabemos, o jogo de basquetebol requer mudanças constantes do foco da nossa atenção, pelo que a concentração (controlo mental) deve ser “flexível”. Os erros acontecem sempre que esta flexibilidade se perde. Para aumentar as probabilidades de sucesso devemos desenvolver a flexibilidade visual usando, por exemplo, o exercício proposto neste texto.
A percepção é a chave para o bom desempenho. As competências para lançar, passar, driblar e defender são uma combinação de coordenação (física) e concentração (mental). Por essa razão, devemos treinar os nossos hábitos físicos (percepção corporal) e mentais (percepção mental), sabendo que eles distinguem os verdadeiros campeões dos demais jogadores.

Michael Jordan - His Airness

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Treino Mental - Visão e Concentração


A concentração ininterrupta na informação sensorial recebida, particularmente a percepção visual, cria a ilusão do “tempo a correr mais devagar”. Neste estado, o atleta vê os objectos e os acontecimentos com mais clareza e parece-lhe ter mais tempo para tomar as decisões correctas. Esta percepção visual pode ser interrompida pela imaginação (medos, ansiedade ou frustrações), por pensamentos auto-críticos (“anda lá, mete essa bola no cesto!”), pela agressividade verbal (“eu nem lhe toquei, senhor árbitro”) ou por outras percepções sensoriais (tensão muscular, fadiga ou dor). Quando a percepção visual é interrompida, então “tudo acontece demasiado depressa”.

A ideia-chave para perceber a concentração é o processo de focagem. Focagem é o processo mental de sintonizar num canal (de informação) enquanto desligamos os outros canais. Duma forma simplista, o nosso cérebro funciona como uma TV. Há inúmeros canais que podemos escolher e, apesar de podermos mudar de canal sempre que nos apetecer, só podemos pôr um deles no ecrã de cada vez. Exemplos de canais que todos temos são: visão, audição, olfacto, gosto, tacto, imaginação, sede, dor, percepção corporal, voz interior, etc… Quando nos focamos no sistema visual, estamos mais alerta para objectos no nosso campo de visão mas, ao mesmo tempo, menos receptivos a mensagens captadas pelos sentidos da audição, do tacto, do olfacto ou do paladar. Ao focarmo-nos no sentido visual (sensações que existem no presente) deixamos de ser incomodados por “repetições” de imagens sensoriais passadas. E ainda bem que é assim! Imaginem o que seria se os nossos canais mentais (como numa TV) apresentassem a informação toda ao mesmo tempo no “ecrã”. Seria a confusão total. Daí que a nossa focagem não possa ser feita em dois ou mais canais em simultâneo. Assim que um dos canais passa a ser o centro da nossa atenção, todos os outros desvanecem, se desfocam…

Para ilustrar a importância da focagem de atenção (concentração) apropriada, imagina-te a receber a bola numa reposição em jogo contra uma defesa zona pressionante. Nesse preciso momento dois jogadores da equipa contrária fazem-te 2 contra 1. O que pensas que acontecerá se, em vez de focares a tua “TV mental” no canal da visão para encontrar o colega livre, a sintonizas no último turnover que fizeste quando estiveste numa situação destas? Por outro lado, pensa no quanto é simples encontrar o colega livre se a tua mente não estiver distraída com informação não visual. Passar ao colega livre é, essencialmente, um problema visual (identificação rápida/instantânea). Não é, usualmente, um problema de fraca técnica de passe. Resumindo, sair com sucesso de uma situação de pressão é um desafio mais mental do que físico


Apesar do exemplo anterior ilustrar a importância de uma focagem adequada, no basquetebol a concentração dentro do campo implica mais do que apenas sintonizar no canal correcto. Em algumas situações necessitamos de informação muitíssimo específica, enquanto noutras precisamos de ver o quadro global, o campo todo. Isto pode ser ilustrado com as diferenças que existem entre executar um lançamento e defender quando o “meu” jogador não tem a bola. Ao lançar foco-me especificamente no cesto, que é um campo visual fino. Quando defendo o homem sem bola devo ver o meu homem e a bola, o que implica ter que, em muitíssimas situações, ter o campo inteiro dentro do meu campo visual, tornando-o um campo visual largo. Weiskopf (1975) sugeriu os termos “soft centering” (focagem larga) e “fine centering” (focagem fina) para distinguir entre estes dois tipos de captação de informação sensorial. De modo a conseguir optimizar o desempenho, devemos então ganhar bons hábitos de expandir ou contrair o alvo da nossa visão.

Como já vimos, o basquetebol tem tanto de jogo físico como de jogo mental. Porquê, perguntarão ainda alguns? Porque é que a concentração, a compostura e a confiança são tão importantes na excelência desportiva? A resposta continua a ser simples: qualquer movimento do corpo é controlado pela mente. Então, como controlar a nossa concentração no decurso de treinos e competições? Seguramente através do treino da percepção mental aliado a uma atenção selectiva que também se treina...

Michael Jordan Above and Beyond

Defesa... Old School

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O primeiro "Bi"... (Campeonato Nacional Universitário 2008/2009)

Frase do Dia

"Coaching is like holding a dove in your hand. Squeeze too hard and you kill it; not hard enough and it flies away." - Tommy Lasorda

Treino Mental - Compostura


A teoria dos “semáforos” implica sempre a existência de “contágios”. Com efeito, quando alguém lidera pelo exemplo deve ter em conta que o melhor meio para colocar a sua equipa num semáforo verde é estar, ele próprio, num estado de “semáforo verde”. Mas como atingir esse estado tão desejado? Aqui estão algumas das rotinas usadas por atletas de alta competição, antes de um treino ou de uma prova, para atingir o tal semáforo verde.

1)      Revisão dos planos de jogo ou dos dados estatísticos: se fores um atleta que gosta de rever mentalmente o plano para o jogo, deves focar-te em 3 a 5 questões-chave que aumentem as probabilidades de tu e a equipa terem sucesso;

2)     Visualização: podes visualizar-te a passar por momentos importantes do treino ou jogo. Imagina-te a jogar da forma mais eficaz possível, seja a executar as diferentes tarefas do jogo, seja a atacar o teu adversário directo;

3)     Reflexão/Oração: podes preferir isolar-te e “esvaziar” a cabeça de modo a fortalecer o teu estado de espírito para os momentos que se avizinham. Se as tuas crenças religiosas são uma fonte de força para ti, uma pequena oração pode ser o suficiente (Exemplo de Pelé: "Meu Deus, por favor faz com que a minha equipa ganhe; mas se não ganhar, pelo menos que não perca; e se tiver que haver empate ao menos que seja 5 a 5 para o povo ir embora satisfeito");

4)     Ouvir música: podes preferir ouvir música enquanto te preparas para competir. A música é, obviamente, uma escolha individualizada, pelo que os headphones são obrigatórios. Se achas que jogas melhor quando estás enérgico, encontra uma música que te deixe assim. Caso contrário, se é relaxado e calmo que o teu desempenho melhora, encontra uma música que te acalme. A música é um excelente meio para encontrar o estado mental mais adequado ao momento que se avizinha;

5)     Conversar com colegas de equipa: se fores um atleta que gosta de relaxar conversando com os colegas (e não se isolando ou pensando demais na competição), provavelmente o melhor será brincar informalmente um pouco com eles para evitar que a ansiedade se instale;

6)      Ver vídeos: uma óptima forma de atingir o estado desejado é observar vídeos de equipas de sucesso (inspiradoras), se possível complementados com música;

7)     Dormir ou tomar um duche: se preferires avançar para a competição depois de um momento de descanso, o melhor será fazer uma pequena sesta após o almoço. Outra sugestão é um duche para refrescar;

É fácil mantermo-nos no semáforo verde quando a equipa está a ganhar, quando as faltas são bem marcadas e quando estamos a jogar bem. Bem diferente é a realidade quando as coisas não correm como desejamos. É nesse momento que a capacidade de liderança de cada um de nós emerge. A “chave” encontra-se no semáforo amarelo. Porquê? Porque como seres humanos que somos, é impossível estarmos no semáforo verde 100% do tempo. O segredo deste processo é conseguir identificar quando entramos num semáforo amarelo.

É importante, neste ponto, relembrar que somos nós que controlamos a cor do semáforo em que nos encontramos. Muitas vezes atribuímos a causa da mudança de cor a um determinado episódio ou evento. Nada mais errado. Não é a situação que causa a nossa mudança do verde para amarelo ou vermelho, mas sim a nossa interpretação dessa(s) situação(ões). Muda a tua interpretação e mudarás a cor…

Diagnosticar a aproximação de um semáforo amarelo é, então, crucial para manter o controlo da situação e, consequentemente, a compostura. Assim que diagnosticamos a cor amarela, a tarefa é focar a nossa atenção de modo a reentrar no semáforo verde. Se não reconhecermos os amarelos ou se não tivermos capacidade para refocar eficazmente, estamos a caminho da cor vermelha. Como é óbvio, depois de entrar no vermelho é muitíssimo difícil voltar ao verde, pelo que é decisivo conseguir refocar a atenção enquanto estamos no amarelo. Se conseguirmos diagnosticar a tempo o afastamento da cor verde, uma das seguintes estratégias pode ser utilizada para regressar rapidamente.

a)     Abrandar: o esforço para refocar no que é importante deve começar pelo abrandamento do ritmo a que estamos a jogar/treinar. Aperta os atacadores, ajusta o equipamento, põe a camisola por dentro dos calções, bebe água, etc. Faz qualquer coisa que te permita ter algum “espaço” para estancar o momento negativo. Durante estas pausas pode ser usada qualquer das seguintes estratégias para refocar no essencial;

b)     Focar nos aspectos controláveis: quando estamos num amarelo ou num vermelho, a realidade tende, como vimos antes, a acelerar mais do que desejamos. A melhor forma de controlar a situação é ganhar o auto-controlo físico e emocional. É decisivo perceber o que controlamos e o que não controlamos nestas situações. Aspectos que não controlamos são, por exemplo, as decisões do treinador, colegas de equipa, árbitros, público, oficiais de mesa, adversários, condições ambientais, equipamento, viagens, obrigações académicas, tempo de jogo, jornalistas, expectativas de amigos e familiares, etc. Exemplos de aspectos que controlamos e sobre os quais nos devemos conseguir focar rapidamente são: atitude, esforço, compromisso, confiança, alimentação, descanso, respostas às diferentes situações, comunicação, linguagem corporal, preparação, etc. Sempre que te encontres numa situação difícil a primeira pergunta deve ser: é controlável ou não controlável? Se não é controlável é urgente parar a subida da frustração e ignorar ou ajustarmo-nos à “nova” realidade. Se é controlável, deve ser assumida a responsabilidade por readquirir o controlo e agir imediatamente. Controlar os aspectos controláveis parece simples (e é), mas a maioria dos atletas tem dificuldade em libertar-se do que está fora do seu controlo. O treino serve para disciplinar as capacidades de refocar sob stress e de assumir a responsabilidade pelos aspectos controláveis. Só assim se atingirá o sucesso;

c)      Focar no presente: a maioria das vezes que atingimos o amarelo deve-se à frustração associada a erros cometidos no passado. Quantas vezes ficaste frustrado com uma falha no início de um jogo e essa falha te acompanhou por minutos, horas ou até dias? Muitos atletas têm dificuldades em recuperar de um erro ou de uma falha. Em vez de avançarem, ficam presos na repetição mental da falha, aumentando assim a frustração (e isto é especialmente verdade para os mais perfeccionistas). E assim acabam a lutar contra si próprios porque uma porção da sua atenção ainda está no passado. E se uma porção está no passado, então o foco não está 100% no presente. Algumas técnicas para focar no presente são as seguintes:

i)                  Respirar fundo: pode ser útil para libertar frustrações passadas e distracções, sobretudo quando expiramos;

ii)                Diálogo Interno + Palavras-Chave: pode ser bom iniciar um diálogo interno do tipo “toma atenção a este aspecto”, “uma coisa de cada vez” ou “foca-te nisto e foca-te já”. O treinador de Duke, Mike Krzyzewski usa a expressão “próxima (jogada)!” para que os jogadores esqueçam os erros do passado recente e se foquem nas posses de bola seguintes;

iii)               Aprender a lição: é sempre bom converter os erros e falhas em lições. Em vez de focarmos a atenção no que não fizemos bem, foquemo-nos na lição aprendida e na forma como essa lição será aplicada daí em diante. É inteligente tentar aprender o máximo sobre nós próprios, colegas, treinadores e adversários para que essa informação aumente as probabilidades de sucesso no futuro.

d)     Focar no que é positivo: devemo-nos focar nas acções positivas que queremos ter e não nos erros que queremos evitar. Se nos focarmos nos aspectos negativos que queremos evitar, o nosso corpo e a nossa mente confundem-se e surge a frustração. Ao visualizar e imaginar acções positivas, o cérebro pode focar-se mais eficazmente em fazê-las mesmo acontecer.

e)     Focar nos processos: o resultado de uma competição está directamente dependente da nossa habilidade para nos focarmos nos processos dessa mesma competição. O foco deve ser contínuo e nas pequenas acções (fundamentos) que nos colocam numa melhor posição para obter o que ambicionamos. Qual é o processo que conduz ao sucesso no nosso jogo? O que é preciso para conseguir os resultados pretendidos? Na esmagadora maioria das vezes este foco é nas “pequenas” variáveis que controlamos: assiduidade, compromisso com treinos de qualidade máxima, abordar todas as questões com atitude positiva, desenvolver as diferentes forças (sobretudo física e mental), trabalhar em conjunto com colegas de equipa e treinadores, etc. Ao trabalhar estas componentes do processo de conquista, estamos a criar as condições para mais facilmente atingirmos os resultados ambicionados.

Jogar com compostura não implica que sejamos robots desprovidos de emoções. A compostura é o acto de aprender a gerir positivamente as emoções. As emoções positivas devem ser expressas, dentro do que é razoável. Celebrar o nosso sucesso e o dos nossos colegas de equipa deve ser feito, sempre sem perder a perspectiva do respeito pelo adversário (atenção que não queremos dar-lhes doses extra de motivação!). As emoções positivas são então um factor determinante para o sucesso nos desportos colectivos e cada um de nós pode ser o motor desta positividade. Por outro lado, assim como é positivo mostrar as emoções positivas, devemos fazer o nosso máximo para “esconder” as emoções negativas que vão surgindo. Por vezes isto implica disfarçar a frustração ou, pelo menos, tentar aligeirá-la para evitar perdas de controlo. Se não conseguimos controlar as nossas emoções negativas, o resultado será a distracção dos nossos colegas de equipa e o possível contágio dos mesmos. Daí que as técnicas apresentadas neste texto devam ser experimentadas e treinadas, de modo a mantermo-nos a nós e aos nossos companheiros de equipa sempre no semáforo verde do controlo emocional. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Frase do Dia

"Nenhum jogador joga para perder, mas são poucos os que jogam para ganhar" - Pete Carril

Treino Mental - Reconhecer as Emoções


Até há bem pouco tempo julgava-se que o processo decisório se consubstanciava apenas com base num único elemento: a razão. O líder era visto como pessoa frontal, directa, que decide a frio, com rigor, sem dúvidas, sem emoções, distanciado, fora do mundo das incertezas e da ambiguidade, no mais alto patamar da organização. Ser emocional ou mostrar sentimentos era sinónimo de fraqueza, o que então não era permitido, tal como ainda hoje tende a acontecer. Mas a realidade está a mudar…

António Damásio define emoção do seguinte modo: “reacção automática a uma série de ameaças ou oportunidades que se põem a um organismo vivo”. As emoções são então consequência (sobretudo) de estímulos exteriores e predispõem-nos para a acção e a reacção. Se as emoções nos fazem reagir de forma automática, presume-se que essa reacção não depende de nós enquanto opção única da razão, logo, será legítimo afirmar que estamos condenados a trabalhar com elas em todos os processos activos das nossas vidas. Tal como não conseguimos não pensar, também não conseguimos pensar sem emoções. O velho “penso, logo existo” deu hoje lugar ao “sinto, logo existo”.
Todos sabemos que o excesso de emoções nos traz alterações comportamentais. O que não sabíamos é que, sem emoções, não somos capazes de decidir e, pura e simplesmente não decidimos. Daí que seja pertinente levantar a questão: sendo as emoções parte integrante da nossa vida, se a sua ausência ou excesso nos provocam alterações comportamentais, se estamos condenados a viver com elas, será racional da nossa parte deixá-las actuar sem qualquer tipo de controlo ou de influência sobre elas? Será razoável olhar para as emoções sem perguntar como e de que forma nos poderão ser mais úteis?  Como podemos optimizá-las nos nossos actos? E sendo elas um factor fundamental do nosso comportamento, como ter um controlo mais efectivo sobre elas?

Tomemos como exemplo o sistema circulatório do ser humano. O que está a acontecer no meu sistema não afecta o do meu vizinho. Não é isto, de forma alguma, o que acontece no domínio das emoções, porque estas interagem entre os diversos indivíduos. Neste caso falamos em sistema aberto, uma vez que a minha alegria ou a minha tristeza provocam (ou podem provocar) alterações do estado emocional àqueles que comigo lidam. Daí que possamos, no domínio das emoções, falar de “contágio”.

Podemos aqui abordar, a propósito do “contágio” emocional, a “Teoria dos Semáforos” proposta por Ken Ravizza no livro “Heads Up Basketball”. O primeiro passo para gerirmos o que quer que seja é termos a percepção clara do “objecto” a gerir. Neste caso o objecto são as nossas emoções e os comportamentos associados, ou seja, a gestão da nossa compostura.  Quando estamos compostos, confiantes e controlados podemos dizer que estamos num semáforo verde. O semáforo amarelo aparece quando nos sentimos distraídos, frustrados e confusos. Finalmente, nas situações em que perdemos o controlo e só queremos explodir ou desistir, atingimos o semáforo vermelho. Esta analogia entre o desempenho emocional e os semáforos ajuda a ter uma percepção mais clara dos diferentes estados de espírito em que nos encontramos e possibilitará, como irão ter oportunidade de constatar futuramente, gerir melhor emoções e, consequentemente, comportamentos:
Verde – composto, optimista, confiante, focado, determinado, comunicativo, encorajador, postura corporal correcta, agressividade competitiva;
Amarelo – frustrado, inseguro, negativo, queixoso, distante, distraído, confuso, revoltado;
Vermelho – zangado, fora de controlo, apático, resignado, postura corporal incorrecta, assustado, emotivo.
Qualquer atleta já experienciou, por vezes até quase em simultâneo, estes três diferentes estados de compostura. É frequente passar por dois destes estados no decurso de qualquer treino ou competição. É fácil estar no verde quando estamos a jogar bem. Podemos cair no amarelo quando o treino/jogo não corre tão bem ou quando os árbitros apitam de forma diferente da que achamos justa. No vermelho entramos quando começamos a lutar contra nós próprios e a perder o controlo emocional. Num dos próximos textos serão explicadas as formas de detectar sinais amarelos/vermelhos e o que fazer para voltar rapidamente ao semáforo verde do alto rendimento.

Para terminar, deixo-vos as sensações que foram descritas por vários desportistas de alta competição quando questionados sobre o que sentiram nos momentos de melhor rendimento das suas carreiras: “relaxamento mental”, “tempo a passar mais devagar”; “foco no presente”; “percepção elevada do próprio corpo e dos corpos dos atletas à sua volta”; “capacidade máxima de antecipação e resposta”.Em oposição, temos a descrição da sensação mais frequentemente associada ao sinal vermelho: tudo acontece muito depressa

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Frase do Dia

"só se fixa na sua sombra aquele que está de costas para o Sol" - Provérbio Ameríndio

Vizinhos

Que bom que é termos vizinhos assim! Não acham provinciano andarmos há tanto tempo sem nos falarmos?...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Frase do Dia

"There is no I in TEAM; but there is an I in WIN" - Michael Jordan

Michael Jordan (ou Mike Jordan?) - como tudo começou...

O primeiro jogo universitário de Michael Jordan (12 pts). A prova de que "todas as grandes caminhadas começam num pequeno passo".

"I felt real comfortable out there," said Jordan, the new kid in the lineup who went five for 10 from the field. " I felt good on my shots. I did throw a bad pass, though, and I need to help out more on defense." - Raleigh News and Observer (November 29, 1981)

Livro do Mês

Todos os meses deixarei aqui uma sugestão de leitura. Aqui fica a primeira. Um livro que mudou a minha forma de abordar o basquetebol.


"Chicago Bulls coach Phil Jackson shares his experience of combining sports and spirituality to lead his team to success, explaining how to nurture a positive group dynamic and detailing the methods he uses to teach his players how to think collectively, overcome anger, and look beyond jealousy." - www.amazon.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Frase do Dia

"Só merece ganhar quem está totalmente preparado para perder" - Sun Tzu

Drazen Petrovic - o melhor europeu de sempre

1986 - em jogo com o Limoges, Petrovic consegue magnífico duplo-duplo (51 pts e 11 ass)

Drazen Petrovic vs Michael Jordan

Jogos Olímpicos (Barcelona 1992) - o encontro entre o melhor jogador europeu de sempre (Drazen) e o melhor basquetebolista de todos os tempos (Jordan)...


"Once Brothers"

Drazen Petrovic vs Oscar Schmidt

Final da Taça das Taças (1989) - jogo memorável entre o melhor basquetebolista europeu de sempre (Drazen, 62 pts) e o melhor marcador mundial da história (Oscar, 44 pts)



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aprender com o melhor

Frase do Dia

"Todas as pessoas se podem zangar, é fácil; porém, estar zangado com a pessoa certa, no nível certo, no momento certo, pela razão certa e da forma certa não está ao alcance de todos. Isso não é fácil" - Aristóteles

Outras vozes



Tentarei neste blog dar espaço a outras vozes, outras ideias. Aqui ficam as primeiras:

Jorge Araújo em entrevista ao BasketPT.com

Aíto Garcia Reneses em entrevista à ANTB

Abraço

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Treino Mental

Como atleta e mais tarde como treinador sempre me despertou grande curiosidade o facto de alguns atletas menos "valorizados" conseguirem superar as suas limitações e transformar-se literalmente em belíssimos jogadores. Infelizmente, devo confessar que foram também imensas as vezes em que atletas com um potencial fabuloso sucumbiram às limitações auto-infligidas pela falta de controlo emocional.
Porque sentem os atletas tantas e tamanhas frustrações? A resposta é simples: os treinadores sempre negligenciaram a componente mental / emocional / comportamental dos seus atletas e do jogo. Apesar do muito empenho nas componentes técnica, física e táctica, muito pouco se faz ao nível comportamental.
Podemos então assumir que os atletas receberam pouco ou nenhum treino nesta área porque os treinadores não acredita(va)m que os factores psicológicos são importantes? Muito pelo contrário, os treinadores sempre acreditaram que a dimensão mental do jogo é um ingrediente importante do sucesso. Lembrem-se da quantidade de vezes que ouviram um treinador dizer-vos: “confiança!”, “calma!” ou“concentra-te!”. Mas alguma vez ouviram um treinador explicar COMO se ganha (e se restabelece) a confiança, COMO se relaxa e se retoma a compostura ou COMO deve fazer um atleta para se concentrar?



Para quem quiser dar um passo mais além no domínio das suas emoções e, consequentemente, do seu desempenho, uma nova etapa vai começar aqui. Nela tentarei partilhar as ferramentas que tenho usado neste domínio para potenciar o desempenho dos meus atletas, bem como ouvir as vossas experiências…

Abraço

Oposição forte e honesta = crescimento, respeito e amizade...

Frase do Dia

"Pior do que falhar é nem sequer tentar" - Francis Bacon

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dúvidas sobre os Exames Médicos Desportivos

Rui Guimarães (Portugal Telecom), Angel Almeyda (Portugal Telecom), Paulo Pinto (Aveiro Basket), Mike Plowden (Quintajense) e Kevin Widemond (Ovarense) têm em comum um dado trágico: todos padeceram de problemas de saúde que conduziram à sua morte num campo de basquetebol português. Estes cinco dramas aconteceram entre 1998 e 2009. Cinco tragédias em onze anos...
Houve então um debate em torno da existência de desfibrilhadores (e de quem os saiba usar) nos pavilhões nacionais, tendo sido dados passos concretos com vista à melhoria das condições de segurança nestes recintos desportivos. Foi ainda alterado o regulamento respeitante à realização de exames médicos desportivos, mudando nomeadamente o momento da sua realização obrigatória para o mês de aniversário do atleta em causa. Na prática, qualquer atleta está sujeito a esta obrigação, sendo que quem faz anos em período de paragem (por exemplo, no Verão) na prática pode realizar o seu exame num momento posterior ao do seu aniversário mas anterior ao início da competição.
Tomemos como exemplo um atleta, nascido a 1 de Outubro, que se inscreve pela primeira vez e cujo campeonato se inicie em 30 de Setembro. A sua obrigação é realizar um exame médico desportivo antes do seu primeiro jogo e novo exame médico desportivo antes do segundo jogo. Isto, claro está, se o clube optar pela sua utilização no jogo de 30 de Setembro. O exame médico desportivo realizado em Outubro terá validade de um ano, até à data do seu próximo aniversário. Corrijam-me se estiver errado, mas julgo serem estas as regras em vigor para todos.

A divulgação em comunicado, por uma associação distrital de basquetebol, da existência de um atleta (e respectivo clube) em incumprimento neste aspecto, bem como da penalização a aplicar aos prevaricadores, compromete essa associação (parte integrante da FPB) ao cumprimento integral das suas obrigações. Ou pelo menos deveria...

Contudo, com base nas informações que recolhi após o meu post de ontem, parece que no "modus operandi" actualmente em prática não se assumem as responsabilidades predefinidas pelos regulamentos e, mais grave na minha óptica, não são honradas as magníficas vidas (que já são mais que muitas) que tão tristemente se perderam...

As questões que aqui deixo são as seguintes: como ficam os cumpridores num cenário em que se permitem "alguns" incumprimentos? Quem define quais os incumprimentos aos quais se "fecham os olhos"? Quem assume as responsabilidades desportivas e civis no caso de um acidente trágico ocorrer com um desses atletas no decurso das competições? Porque se publica informação num comunicado público, se essa informação é para ignorar? Porque se altera um regulamento, se essas alterações só se aplicam a alguns, se é que se aplicam de todo? Estas são algumas das questões às quais, enquanto treinador, vos peço ajuda para encontrar respostas.

Obrigado e um Abraço.